18 PRINCÍPIOS BÍBLICOS

John Newton Brown

1. Das Escrituras

Cremos que a Bíblia Sagrada foi escrita por homens divinamente inspirados, e é um perfeito tesouro de instrução celestial; tem Deus como seu autor, a salvação como seu fim, e a verdade sem qualquer mistura de erro como seu conteúdo; ela revela os princípios pelos quais Deus nos julgará; e por isso é, e continuará sendo até o fim do mundo, o verdadeiro centro da união cristã, e o supremo padrão pelo qual toda conduta, credos, e opiniões humanas devem ser julgados.

2. Do Verdadeiro Deus

Cremos que há um, e somente um, Deus vivo e verdadeiro, um Espírito infinito, inteligente, cujo nome é SENHOR, o Criador e Supremo Governador do céu e da terra, inexprimivelmente glorioso em santidade, e digno de toda honra, confiança, e amor possíveis; na unidade da divindade há três Pessoas, o Pai, o Filho, e o Espírito Santo; iguais em toda a perfeição divina, e executando distintos e harmoniosos ofícios na grande obra da redenção.

3. Da Queda do Homem

Cremos que o homem foi criado em santidade, sob a lei do seu Criador; mas por transgressão voluntária caiu daquele santo e feliz estado; como consequência, todos os homens são agora pecadores, não por constrangimento, mas por escolha; sendo por natureza completamente destituídos daquela santidade requerida pela Lei de Deus, inegavelmente inclinados para o mal, e por isso sob justa condenação à ruína eterna, sem defesa ou desculpa.

4. Do Caminho da Salvação

Cremos que a salvação dos pecadores é totalmente de graça, através do ofício mediador do Filho de Deus; pelo decreto do Pai, Jesus livremente tomou sobre Si a nossa natureza, mas sem pecado; honrou a Lei Divina pela Sua obediência pessoal e, pela Sua morte, fez uma expiação completa pelos nossos pecados; tendo ressuscitado da morte, Ele está agora entronizado no céu; e unindo na Sua maravilhosa pessoa as mais ternas simpatias com as divinas perfeições, Ele é de todos os modos qualificado para ser um Salvador adequado, compassivo e todo-suficiente.

5. Da Justificação

Cremos que a grande bênção evangélica que Cristo assegura a tantos quantos crêem nEle é a justificação; a justificação inclui o perdão do pecado, e a promessa da vida eterna sob os princípios da justiça; ela é aplicada, não em consideração de quaisquer obras de justiça que nós temos feito, mas exclusivamente através da fé no sangue do Redentor; mediante essa fé, a Sua perfeita justiça é livremente imputada a nós por Deus; e leva-nos para um estado da mais abençoada paz e favor com Deus, e assegura-nos as bênçãos necessárias para o tempo e a eternidade.

6. Da Natureza Livre da Salvação

Cremos que as bênçãos da salvação são colocadas à disposição de todos pelo evangelho; é o dever imediato de todos aceitá-las por uma fé cordial, penitente e obediente; nada impede a salvação do maior pecador na terra exceto a sua própria depravação inerente e rejeição voluntária do evangelho; a rejeição envolve-o numa condenação agravada.

7. Da Graça na Regeneração

Cremos que, a fim de serem salvos, os pecadores devem ser regenerados, ou nascidos de novo; a regeneração consiste em dar uma disposição santa à mente; ela é efetuada de uma maneira acima da nossa compreensão pelo poder do Espírito Santo, em conexão com a verdade divina, de modo a assegurar a nossa obediência voluntária ao evangelho; a sua evidência apropriada aparece nos frutos santos do arrependimento, fé e novidade de vida.

8. Do Arrependimento e da Fé

Cremos que o arrependimento e a fé são deveres sagrados, e também graças inseparáveis, operadas nas nossas almas pelo Espírito regenerador de Deus; pelo que, sendo profundamente convencidos da nossa culpa, perigo e incapacidade, e do caminho da salvação por Cristo, nós retornamos para Deus com contrição sincera, confissão e súplica por misericórdia; ao mesmo tempo recebendo de coração o Senhor Jesus Cristo como nosso Profeta, Sacerdote e Rei, e confiando nEle somente como único e todo-suficiente Salvador.

9. Do Propósito da Graça de Deus

Cremos que a eleição é o eterno propósito de Deus, segundo o qual Ele graciosamente regenera, santifica e salva pecadores; sendo perfeitamente consistente com a livre agência do homem, abrange todos os meios em conexão com o fim; é uma demonstração gloriosíssima da bondade soberana de Deus, sendo infinitamente livre, sábia, santa, e imutável; a eleição divina exclui completamente a vanglória, e promove humildade, amor, oração, louvor, confiança em Deus, e imitação ativa da Sua livre misericórdia; ela encoraja o uso dos meios no mais alto grau; ela pode ser percebida pelos seus efeitos em todo aquele que verdadeiramente crê no evangelho; é o alicerce da segurança cristã; e verificá-la com respeito a nós mesmos demanda e merece a máxima diligência.

10. Da Santificação

Cremos que a santificação é o processo pelo qual, segundo a vontade de Deus, nós somos feitos participantes da Sua santidade; ela é uma obra progressiva; é iniciada na regeneração; e é efetivada nos corações dos crentes pela presença e poder do Espírito Santo, o Selador e Consolador, no uso contínuo dos meios decretados - especialmente a Palavra de Deus, o autoexame, a abnegação, a vigilância, e a oração.

11. Da Perseverança dos Santos

Cremos que são crentes legítimos aqueles que resistem até ao fim; os seus perseverantes vínculos com Cristo são o grande marco que os distingue dos professos superficiais; uma especial providência zela pelo seu bem-estar; e eles são guardados pelo poder de Deus através da fé para a salvação.

12. Da Harmonia da lei e do Evangelho

Cremos que a Lei de Deus é a regra eterna e imutável do Seu governo moral; ela é santa, justa, e boa; e a incapacidade que as Escrituras atribuem aos homens caídos de cumprir os seus preceitos provém inteiramente do seu amor ao pecado; livrá-los disso, e restaurá-los através de um Mediador à sincera obediência à santa Lei, é um dos grandes fins do evangelho e dos meios da graça, associados com o estabelecimento da igreja visível.

13. De uma Igreja Evangélica

Cremos que uma igreja visível de Cristo é uma congregação de crentes batizados, associados pelo pacto na fé e comunhão do evangelho; observando as ordenanças de Cristo; governados por Suas leis, e exercendo os dons, direitos, e privilégios investidos neles pela Sua Palavra; os seus únicos oficiais Bíblicos são os Bispos ou Pastores, e os Diáconos, cujas qualificações, reivindicações, e deveres são definidos nas Epístolas a Timóteo e Tito.

14. Do Batismo e da Ceia do Senhor

Cremos que o Batismo cristão é a imersão de um crente na água, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; para anunciar, num solene e belo símbolo, a nossa fé no Salvador crucificado, sepultado e ressurreto, com o seu efeito na nossa morte para o pecado e ressurreição para uma nova vida; é pré-requisito aos privilégios da comunhão na igreja; e à Ceia do Senhor, na qual os membros da igreja, pelo uso sagrado do pão e do vinho, devem comemorar juntos a morte de Cristo por amor; precedido sempre por um solene autoexame.

15. Do Sábado Cristão

Cremos que o primeiro dia da semana é o dia do Senhor, ou o sábado cristão; e deve ser mantido sagrado para propósitos religiosos, pela abstenção de todo o labor secular e recreações pecaminosas; pela observância devota de todos os meios de graça, tanto privados quanto públicos; e pela preparação para aquele repouso que restará para o povo de Deus.

16. Do Governo Civil

Cremos que o governo civil é de instituição divina para os interesses e a boa ordem da sociedade humana; devemos orar pelos magistrados, conscienciosamente honrá-los e obedecê-los; exceto apenas nas coisas opostas à vontade do nosso Senhor Jesus Cristo, que é o único Senhor da consciência, e o Príncipe dos reis da terra.

17. Do Justo e do Ímpio

Cremos que há uma diferença radical e essencial entre o justo e o ímpio; só aqueles que por meio da fé são justificados em nome do Senhor Jesus, e santificados pelo Espírito do nosso Deus, são verdadeiramente justos em Sua avaliação; enquanto todos os que continuam impenitentes e incrédulos são ímpios, aos olhos de Deus, e sob a maldição; e esta distinção mantém-se entre os homens tanto na morte como depois dela.

18. Do Mundo Vindouro

Cremos que o fim do mundo está-se aproximando; no último dia, Cristo descerá do céu e ressuscitará os mortos da sepultura para o juízo final; uma solene separação ocorrerá então; o ímpio será condenado ao castigo eterno, e o justo à alegria eterna; e este julgamento fixará para sempre o estado final dos homens no céu ou no inferno, segundo os princípios da justiça.


Pacto da Igreja

    Tendo sido guiados pelo Espírito Santo de Deus, a receber o Senhor Jesus Cristo como nosso único Salvador, e tendo sido batizados, sob profissão de fé, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, decidimo-nos unânimes, como um corpo em Cristo, a firmar solene e alegremente, na presença de Deus e desta congregação, o seguinte pacto.
    Comprometemo-nos, auxiliados pelo Espírito Santo: a andar sempre unidos no amor cristão; a trabalhar para que esta igreja cresça no conhecimento da Palavra, na santidade, no conforto mútuo e na espiritualidade; a manter os seus cultos, as suas doutrinas, as suas ordenanças e a sua disciplina; a contribuir liberalmente para o sustento do ministério, para as despesas da igreja, para o auxílio aos pobres e para a propagação do evangelho em todas as nações.
    Comprometemo-nos também: a manter uma devoção pessoal e familiar; a educar religiosamente os nossos filhos; a procurar a salvação de todos, a começar pelos nossos parentes, amigos e conhecidos; a ser corretos nas nossas transações, fiéis nos nossos compromissos e exemplares na nossa conduta; a ser diligentes nos trabalhos seculares; a evitar a maledicência, a intriga e a ira; a evitar e condenar todos os vícios; sempre e em tudo visando a expansão do reino do nosso Salvador. 
    Além disso, comprometemo-nos a ter cuidado uns dos outros em amor fraterno; a lembrar-nos uns dos outros em nossas orações; a ajudar-nos mutuamente nas enfermidades e necessidades; a cultivar relações francas e a delicadeza no trato; a estar prontos a perdoar as ofensas, buscando, quando possível, a paz com todos os homens.
    Finalmente comprometemo-nos a, quando sairmos desta localidade para outra, unir-nos a uma outra igreja da mesma fé e ordem, em que possamos observar os princípios da Palavra de Deus e o espírito deste pacto. O Senhor nos abençoe e proteja para que sejamos fiéis e sinceros até à morte.


Oração

    Ora, o Deus de paz, que pelo sangue da aliança eterna tornou a trazer dos mortos a nosso Senhor Jesus, o grande pastor das ovelhas, vos aperfeiçoe em toda a boa obra, para fazerdes a sua vontade, operando em vós o que perante ele é agradável por Jesus Cristo, ao qual seja glória para todo o sempre. Amém.
(Hb 13:20-21)

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